Entre a ocasião e o ladrão

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Tem aquele velho ditado assegurando que a oportunidade (ou ocasião, para quem gosta de rimas) faz o ladrão. Se não pensarmos nessa frase apenas como um clichê, se percebe que ela é um pouco mais profunda do que aparenta, e até merece algum tempo de filosofia ao seu redor. Vejamos: a oportunidade pode ser concebida como a junção de diversos fatores que culminam numa determinada situação, sem que tenhamos – e geralmente não temos – alguma responsabilidade pelas suas causas. Mesmo não tendo nada a ver com essas causas, podemos fazer parte das consequências. E é esse momento de ação que conta, e é aí que se dividem os bons e maus “ladrões”.

Vem lá de muito antes de Cristo um bom exemplo desse senso de oportunidade. Chama atenção, sobretudo, pelo pioneirismo da ação – tanto que é considerado por muitos como o primeiro registro da atividade publicitária. Foi na antiga Babilônia, onde só existia… terra, mato e animais, basicamente. Havia a necessidade de comercializar o gado, e se viu a oportunidade de incrementar as vendas utilizando um anúncio. E fizeram isso com o que tinham à mão, esfregando os dedos lambuzados com argila sobre uma tábua. Uma salva de palmas para os babilônios.

Agora, para trazer um caso de falta desse senso de oportunidade não precisamos voltar tanto assim no tempo. Ano passado, conta-se em diversos blogs, uma marca multinacional de artigos esportivos contratou uma agência para a campanha de lançamento de um novo tênis. Como a bola da vez são as mídias sociais, o planejamento proposto pela agência envolvia uma extensa lista de ações nestes meios, com destaque para os blogs. Então, Os blogueiros foram convocados, por e-mail, a divulgar o produto. As instruções eram várias, e não era difícil interpretar seu conteúdo como sendo um tanto… hum, imperativo. Atendida a lista de exigências do e-mail, os blogueiros que divulgassem o produto concorriam a camisetas e bonés da marca, de acordo com o número de acessos que gerassem para o hot site do novo tênis. Daí, um dos convocados, identificando o equívoco na postura da agência que representava a marca (convenhamos também que a premiação não era das mais atraentes), publicou em seu blog o conteúdo do e-mail, intercalado com comentários espirituosos da sua parte, ridicularizando a ação. Não demorou muito e esse post se espalhou por sites e blogs, gerando comentários negativos que, em sua maioria, eram direcionados à marca. Tanto a empresa quanto a agência responsável negam a autoria do e-mail. Se foi obra da concorrência, mesmo sendo um golpe bastante sujo, palmas à ela. Nesse caso, o fato vira um bom exemplo de proveito do meio, mesmo que condenável sob o ponto de vista ético.

Se antes ou depois de Cristo, não importa. Os dois casos são exemplos de que só a ocasião não faz um ladrão. É preciso também um pouco de sorte, de talento, de dedicação. Seja lá o nome que se dê, isso que existe entre a oportunidade e o êxito, cada vez mais, é parte essencial em qualquer estratégia. Seja para colocar na ruas uma campanha que traga resultados, seja para roubar um banco.