O anúncio que te persegue

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Afinal, remarketing é do bem ou do mal?

Daí, você visita um site para dar uma conferida em um produto e, logo na sequência, em outro site qualquer, vê exatamente aquele mesmo produto estampado em um banner – e talvez até com uma condição especial de pagamento. Não, não é um sinal divino para que você efetue a compra. É apenas remarketing, técnica que registra informações sobre a navegação do usuário a partir da visita em determinado site, seguindo aquele mesmo usuário em outros endereços para não deixar o interesse cair no esquecimento.

Fascinante e assustador na mesma proporção, o remarketing traduz bem o nosso tempo em dois aspectos: primeiro, por possibilitar aos profissionais a aplicação de estratégias cada vez mais refinadas na arte do convencimento, permitindo abordar as pessoas certas, no momento certo e com apelo certeiro. Segundo, porque deixa explícita a nossa capacidade de ser enxerido, vigiando o percurso de navegação dos usuários e colhendo informações para se infiltrar nesse trajeto na tentativa de vender alguma coisa.

Um entusiasta das estratégias de publicidade online, olhando o contexto de dentro pra fora, diria que o remarketing é o auge da evolução. Afinal, há um esforço menor para atingir um público mais qualificado, e também um menor esforço para vender o investimento ao cliente, visto que as taxas de conversão dessa modalidade de anúncio são fantásticas. Já outro entusiasta, olhando o contexto de fora para dentro, põe a mão na consciência e traz a tona uma questão ética: peraí, será que não estamos indo longe demais nessa ânsia de entender o comportamento de compra dos públicos? E pior: não estamos utilizando técnicas modernas para replicar o uso tradicional das mídias baseadas na interrupção?

E é mais ou menos a partir destas duas visões, a otimista e a pessimista, que este texto se desdobra:

Se aqui no Brasil o remarketing corre leve e solto, ali fora já foram impostas algumas barreiras. Na União Europeia, por exemplo, uma lei recente restringe (e muito) as iniciativas de comunicação que partem da instalação de cookies no dispositivo do usuário, permitindo apenas aqueles necessários para o funcionamento do site – os demais devem ser informados ao usuário no momento da visita, solicitando a sua autorização para a instalação.

Você, como consumidor, se questionado de forma direta (e não apenas afirmando que aceita o extenso termo de uso do Google) autorizaria o acesso às informações de navegação? Para facilitar a resposta dos que oscilam entre uma postura otimista ou negativa em relação ao remarketing, informamos que um cookiezinho foi instalado no seu navegador durante a leitura do artigo. Aguarde o retorno desta questão, em breve, em uma página qualquer perto de você.